Olmair Raposo - Vermelinha para todos

Pioneiro do surf em Ubatuba cria página no Facebook e disponibiliza fotos gratuitas para a galera

por Lucas Conejero, 07/04/2017
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Olmair Raposo acaba de completar 59 anos e tem muita história para contar. Pioneiro do surf brasileiro, mais especificamente da segunda geração de surfistas a desbravar o litoral norte de São Paulo, ele é músico, tecladista e já gravou com artistas do calibre de Raul Seixas e Belchior.

Há cerca de seis anos, o paulistano radicado em Ubatuba teve uma doença grave que o impediu de surfar. Foi aí que pintou a ideia de ir à praia fotografar a galera durante a ação. O hobby se tornou um hábito e resultou em uma iniciativa colaborativa.

Atualmente, a VDC, sua página no Facebook, conta com milhares de seguidores e de imagens dos surfistas, das gatas, da fauna e da flora de um dos picos mais famosos da costa paulista. Se você costuma cair na Vermelinha, a chance de ter sido flagrado é enorme.

A equipe da Alma Surf trocou uma ideia com Raposo. Confira abaixo a entrevista e confira no vídeo uma das participações do artista nos shows do Rauzito. 

AS Cara, você tocou e gravou com o Raul?

OR Sim! Sou músico desde os 18 anos. Estudei música na escola do Zimbo Trio (CLAM) e na escola Magdalena Tagliaferro nos anos 1970. Com o Raul Seixas e o Belchior toquei nos anos 1980. Em 1987, mudei para o Canadá onde terminei meus estudos no Humber College e trabalhei tocando na cena local.

AS Há quanto tempo você mora em Ubatuba? Como é sua relação com a cidade?

OR Eu venho para Ubatuba há muitos anos. Minha família tem casa aqui desde o fim dos anos 1940. Faço parte da segunda geração do surf da cidade, junto com o Bruzzi, Fabio Madueno, meu irmão Betinho, Claude e Pierre, Saulo (pai do Saulo Jr, Felipe e Gabriel Ramos) Scatena, Cabelo, Alemão, Pedrão, entre outros.

AS Então você presenciou os primeiros Festivais do surf brasileiro, certo?

OR Fiz parte da organização desses festivais. Por sinal, o Paulo Issa foi o criador e gestor desses eventos. O surf brasileiro deve muito a ele.

AS Esse life style, essa “cultura de praia” que você tem, vem de onde? Da paixão pelo mar? Você ainda pega onda?

OR Comecei a surfar em 1968 e o negócio vicia. Mas meu vínculo com o mar vai além do surf. Meus pais e meus avós adoravam Ubatuba e finalmente consegui vir morar aqui há cerca de 18 anos. Eu e minha mulher Célia temos uma casa bem perto da Vermelha do Centro. Alugamos apartamentos e suítes e vamos levando a vida com essa grana.

AS Como surgiu a ideia da página VDC? Você não cobra nada pelas fotos que faz, certo? Entrega gratuitamente aos atletas, é isso?

OR Há mais ou menos seis anos tive uma doença meio séria que me impediu de surfar. Então, há uns quatro anos comecei a ir à praia com um celular para fotografar. Mas a qualidade das imagens era bem ruim e não deu muito certo. Ganhei então de presente da minha mulher uma câmera com um zoom razoável e é assim que continuo fotografando. Como me considero amador, no sentido mais amplo da palavra, resolvi publicar as imagens no facebook e libero as fotos para os e as atletas, que têm sido muito camaradas comigo. Apesar da diferença de idade, esse trabalho faz eu me sentir parte da festa, o que tem me ajudado bastante no tratamento.

AS Então é isso que te leva à praia praticamente todos os dias?

OR Como eu falei, é uma troca. Os atletas ficam com as fotos e eu com as boas vibrações e a energia. Todo dia é uma experiência nova, sou muito grato, toco às vezes na noite em Ubatuba, tenho novos e velhos amigos, estou sempre em contato com a natureza, pássaros, saruês, cobras, minha casa é no meio da mata, no pé do morro da VDC. 
 

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