Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental

O mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado a temas socioambientais, acontece de 1 a 14 de junho, com ingressos gratuitos em São Paulo (SP).

por Geórgia Reis, 22/05/2017
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Uma homenagem ao cineasta Vincent Carelli (dos premiados “Corumbiara” e “Martírio”), retrospectiva histórica focalizando a Amazônia no imaginário cinematográfico brasileiro (reunindo títulos assinados por Hector Babenco e Carlos Diegues, entre outros), sessão especial de “Eis os Delírios do Mundo Conectado”, do diretor alemão Werner Herzog, a Mostra Contemporânea Internacional, a Competição Latino-Americana e o Concurso Curta Ecofalante.

Este o cardápio da 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, o mais importante evento audiovisual sul-americano dedicado a temas socioambientais, que acontece de 1º a 14 de junho, com ingressos gratuitos. A sessão de abertura para convidados será dia 31 de maio. No total, são 100 filmes programados, representando 26 países. O festival celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente, instituída em 1981 como sendo a primeira semana do mês de junho. Comemora também o Dia Mundial do Meio Ambiente, 5 de junho, criado em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, com o intuito de chamar a atenção para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais.

Vincent Carelli, o grande homenageado da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental 2017, é indigenista e premiado documentarista. A programação inclui, além de seus longas-metragens recentes (os elogiados “Corumbiara” e “Martírio”), títulos marcantes realizados pelo projeto Vídeo das Aldeias, criado pelo cineasta nos anos 1980. A obra de Carelli, que estará presente, será o centro do debate Cinema de Resistência, agendado para o dia 13 de junho (terça-feira), às 20h00, no Cine Reserva Cultural.

Do polêmico diretor alemão Werner Herzog (de “O Sobrevivente” e “Vício Frenético”) é projetado “Eis os Delírios do Mundo Conectado”, uma produção norte-americana que aborda o mundo virtual, desde as suas origens até os seus maiores desenvolvimentos. O filme mereceu première mundial no importante Sundance Festival.

O Panorama Histórico deste ano tem por tema “A Amazônia no Imaginário Cinematográfico Brasileiro” e traz obras premiadas realizadas no período de 1974 a 1991 por realizadores como Hector Babenco, Carlos Diegues, Gustavo Dahl, Zelito Viana, Hermano Penna e André Luiz Oliveira. Os três últimos participam de debate no dia 1º de junho (quinta-feira), às 19h20, no Cine Caixa Belas Artes.

Já a Mostra Contemporânea Internacional, voltada a produções recentes vindas de diversas partes do planeta, traz 39 títulos (34 deles inéditos no Brasil) organizados em sete eixos temáticos: alimentação & gastronomia; cidades; contaminação; economia; mudanças climáticas; povos & lugares; e trabalho. Cada um desses temas é acompanhado por debates específicos, que ocorrem de 2 a 8 de junho, no Cine Reserva Cultural.

Nesta seção estão astros e estrelas do cinema mundial atuando como narradores em obras inéditas no Brasil, como é o caso dos protagonistas da saga “Star Wars” Daisy Ridley e Oscar Isaac. Ridley participa de “Uma Caçadora e Sua Águia”, sobre uma garota que está tentando se tornar a primeira mulher de sua família a domar águias, enquanto Isaac é o narrador de “É Hora de Decidir”, que trata dos desafios e soluções mundiais em relações às mudanças climáticas dirigido pelo cineasta premiado com o Oscar Charles Ferguson. A atriz e roteirista Emma Thompson conduz a produção canadense “Até o Fim da Terra” e Rachel McAdams empresta seu talento a “Mar Ensurdecedor”, um alerta para o impacto dos ruídos sobre as baleias que conta também com o músico Sting. Já “Sonhos Conectados” tem narração da atriz Tilda Swinton e resgata desejos e ansiedades do mundo atual registrados desde mais de cem anos atrás, quando o telefone, o cinema e a televisão eram novidades.

Também na Mostra Contemporânea Internacional está o filme eleito como melhor documentário nos prêmios César (o “Oscar do cinema francês), “Amanhã”, que tem na direção Mélanie Laurent, premiada atriz de “Bastardo Inglórios” e realizadora do longa “Respire”. A obra trata de uma jornada por várias partes do mundo em busca de soluções nos campos da agricultura, energia, economia, democracia e educação. Por sua vez, “O Suplício: Vozes de Chernobyl” é baseado em livro da vencedora do Prêmio Nobel Svetlana Alexievich e focaliza os desdobramentos do maior acidente nuclear da história, ocorrido na Ucrânia, em 1986. “Guerra ao Terror” encontro “Uma Verdade Inconveniente” é a definição da crítica especializada para “A Era das Consequências”, no qual oficiais militares norte-americanos revelam como as mudanças climáticas potencializam tensões sociais ao redor do mundo.

Em sua quarta edição, a Competição Latino-Americana selecionou 32 títulos, representando sete países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Cuba, México e Uruguai. Três dos filmes promovem sua première mundial no evento: “A Grande Ceia Quilombola”, retrata uma cultura na qual a comida tem um papel fundamental na coesão social, “Terminal 3”, sobre o trabalho escravo nas recentes obras do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, e “Não Respire”, uma denúncia sobre a indústria do amianto. O melhor longa-metragem desta competição é premiado com R$ 15 mil, enquanto o curta-metragem vencedor recebe R$ 5 mil, havendo ainda o prêmio do público. O júri desta competição é formado pela jornalista Maria Zulmira de Souza (uma das idealizadoras da primeira plataforma de ativismo digital do Brasil voltada para o meio ambiente) e pelos cineastas Jorge Bodanzky (de “Iracema, Uma Transa Amazônica”), e Regina Jehá (de “Expedição Vila Marajó”).

Sete filmes da programação foram selecionados para as recentes edições do Festival de Berlim. Na Mostra Contemporânea Internacional estão três títulos inéditos no Brasil: o chinês “Minha Terra”, o divertido “Desejo de Carne” (Holanda) e “Batalha Inuk”, sobre as dificuldades de uma nação indígena esquimó. Na Competição Latino-Americana figuram outras quatro obras que passaram no festival alemão: o argentino “Damiana Kryygi” e os curtas-metragens “Aurelia e Pedro” (mexicano vencedor de menção especial na mostra Generation Kplus), o brasileiro “Das Águas que Passam” e “O Mergulhador” (México).

Com participações no Festival de Veneza, estão incluídos o inédito no Brasil “Complexo Fabril” (sul-coreano que venceu o Leão de Prata no evento italiano), o francês “Gigante” (eleito melhor produção sobre ecologia e desenvolvimento sustentável), “Champ des Possibles” (Canadá) e o brasileiro “Solon”.

Além de “Eis os Delírios do Mundo Conectado”, de Werner Herzog, outros três longas e um curta-metragem participaram do Sundance Festival: o inédito no Brasil “Uma Caçadora e Sua Águia”; o britânico “Quando Dois Mundos Colidem”, vencedor de prêmio especial do júri no evento norte-americano; “Máquinas”, vencedor do prêmio de melhor documentário da mostra World Cinema do Sundance e também inédito em nosso país; e o filme curto “Casa à Venda” (Cuba/Colômbia).

Um dos maiores eventos cinematográficos da Europa, com foco na revelação de novos talentos, o Festival de Roterdã apresentou dois títulos programados este ano pela Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental: “Sonhos Conectados”, uma coprodução Áustria/Alemanha/Reino Unido inédita no Brasil, e “O Vento Sabe que Volto à Casa”, realização do chileno José Luis Torres Leiva que mescla ficção e documentário.

Com passagem pelo prestigioso Festival de Locarno, “El Remolino” (México/Espanha) integra a Competição Latino-Americana e se passa em uma comunidade de Chiapas que anualmente é atingida por fortes enchentes. Já “A Terra dos Fantasmas Vista pelos Bushmen” (Alemanha) foi vencedor do prêmio do público no badalado Festival SXSW - South by Southwest, nos Estados Unidos. E o festival IDFA-Amstardã – considerado como a “Cannes” do documentário – selecionou quatro obras presentes no evento: “Uma Caçadora e Sua Águia”, o nacional “Aracati” e os inéditos no Brasil “Algo de Grandioso” (França) e “Salero” (EUA), este último descrito como uma viagem poética pela maior planície de sal do mundo, localizada na Bolívia.

O curta-metragem de animação brasileiro “Caminho dos Gigantes” participou do Festival de Biarritz, na França, o principal evento europeu dedicado à promoção do cinema latino-americano. Por sua vez, o curta argentino “Esta é a Minha Selva”, que retrata um pequeno povoado que foi devastado por uma inundação, foi destaque no BAFICI - Festival de Cinema Independente de Buenos Aires, um dos maiores eventos cinematográficos da América Latina.

A programação traz ainda uma nova edição do Concurso Curta Ecofalante, dedicado à produção audiovisual de estudantes universitários e de escolas técnicas de audiovisual, que contempla o melhor trabalho com R$ 3 mil. Juntamente com as exibições do Circuito Universitário e da Mostra Escola, são iniciativas dedicadas à reflexão e ao debate promovidas pela Ecofalante, entidade responsável pela Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

A cerimônia de encerramento do evento, com anúncio dos premiados, acontece no dia 14 de junho (quarta-feira), a partir das 20h45, no Cine Caixa Belas Artes. Na sequência é projetado o longa-metragem vencedor da Competição Latino-Americana.

O circuito de exibição é integrado por 30 espaços culturais da cidade: Cine Reserva Cultural, Cine Caixa Belas Artes, salas do Circuito Spcine – Centro Cultural São Paulo, Cine Olido, Centro Cultural Cidade Tiradentes, Biblioteca Roberto Santos, CEU Aricanduva, CEU Butantã, CEU Caminho do Mar, CEU Feitiço da Vila, CEU Jaçanã, CEU Jambeiro, CEU Meninos, CEU Parque Veredas, CEU Paz, CEU Perus, CEU Quinta do Sol, CEU São Rafael, CEU Três Lagos, CEU Vila Atlântica e CEU Vila do Sol. Completam a lista as seguintes unidades das Fábricas de Cultura: Vila Curuçá, Sapopemba, Itaim Paulista, Parque Belém, Brasilândia, Capão Redondo, Jaçanã, Jardim São Luís e Vila Nova Cachoeirinha.

A 6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental é uma realização da ONG Ecofalante, do Ministério da Cultura, do Governo Federal e da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo. É uma correalização da Spcine e da Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo. Tem patrocínio da Sabesp e da Pepsico, com apoio da Goodyear, White Martins, Guarani - Mais que açúcar e do Instituto Clima e Sociedade. É possível graças à Lei de Incentivo à Cultura e ao Programa de Apoio à Cultura (ProAC).

O evento conta com o apoio institucional das seguintes organizações: Carbon Disclosure Program – CDP, Catraca Livre, Centro Brasil no Clima, ClimaInfo, Conexão Planeta, eCycle, Engajamundo, Fábricas de Cultura - Poiésis e Catavento, Governos Locais pela Sustentabilidade – ICLEI, GreenMe, Grupo de Institutos e Fundações de Empresas – GIFE, Horizonte Educação e Comunicação, Instituto Akatu, Instituto de Energia e Ambiente - IEE/USP, Instituto Democracia e Sustentabilidade – IDS, Instituto Envolverde, Instituto Socioambiental – ISA, Le Monde Diplomatique Brasil, Observatório do Clima, ONU Meio Ambiente, Rede Nossa São Paulo, Revista Piauí, SOS Mata Atlântica, Uma Gota no Oceano, Videocamp, Viração Comunicação.

Programação

Vincent Carelli apresenta dois longas-metragens recentes e premiados do realizador, “Corumbiara” (2009) e “Martírio” (2016). O primeiro retrata o massacre de índios em Rondônia, ocorrido em 1985, e recebeu o prêmio melhor filme, melhor direção, melhor montagem e prêmio do público no Festival de Gramado. “Martírio”, feito em colaboração com Ernesto de Carvalho e Tita, busca as origens do genocídio praticado contra os índios Guarani Kaiowá. A produção foi premiada no Festival de Brasília, na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e no Festival de Mar del Plata.

Na homenagem estão incluídos também quatro títulos emblemáticos do Vídeo das Aldeias, projeto criado por Carelli em 1986 com o objetivo de apoiar as lutas dos povos indígenas por meio de recursos audiovisuais. A iniciativa conta com mais de 70 filomes realizados, tendo se transformado em uma referência na área. No curta-metragem “Vídeo nas Aldeias” (1989), quatro grupos indígenas brasileiros (Nambiquara, Gavião, Tikuna e Kaiapó) incorporaram o uso do vídeo nos seus projetos políticos e culturais. “O Espírito da TV” (1990) mostra as emoções e reflexões dos índios Waiãpi ao verem, pela primeira vez, a sua própria imagem num aparelho de televisão. Premiado no Festival de Vídeo de Tóquio e no Cinéma du Réel, “A Arca dos Zo’é” (1993), mostra o encontro entre os índios Waiãpi e os Zo’é. Já em “Segredos da Mata (1998) estão reunidas quatro fábulas sobre monstros canibais, todas narradas e interpretadas pelos índios Waiãpi. Em “Segredos da Mata” (1998) estão reunidas quatro fábulas sobre monstros canibais, todas narradas e interpretadas pelos índios Waiãpi

Panorama Histórico – A Amazônia no Imaginário Cinematográfico Brasileiro
Seis clássicos do cinema brasileiro de ficção, realizados entre 1974 e 1991, compõem o Panorama Histórico – A Amazônia no Imaginário Cinematográfico Brasileiro, com obras assinadas por Hector Babenco, Carlos Diegues, Zelito Viana, Hermano Penna, Gustavo Dahl e André Luiz Oliveira.

A coprodução internacional “Brincando nos Campos do Senhor” (1991), de Babenco, tem no elenco Tom Berenger, John Lithgow e Daryl Hannah e mereceu indicação ao Globo de Ouro. Focaliza um casal de missionários que tenta catequisar índios na Amazônia e tem suas intenções afetadas por um mercenário descendente dos índios americanos. Em “Bye Bye Brasil” (1980), de Carlos Diegues, os atores José Wilker, Betty Faria, Fábio Jr. e Zaira Zambelli compõem uma trupe de artistas ambulantes que viaja pelo interior do Brasil em um caminhão alegremente colorido, atravessando o vale do São Francisco, o litoral nordestino, o árido sertão da região, a selvagem rodovia Transamazônica e os caudalosos e perigosos rios Xingu e Amazonas. A obra foi selecionada para o Festival de Cannes.

Dirigido por Zelito Viana, “Avaeté – Semente da Vingança” (1985) focaliza um grupo de pistoleiros que, a mando de uma grande empresa, massacra uma aldeia inteira de índios para tomar posse das terras, na floresta amazônica. Premiado nos festivais de Moscou e Havana, o longa-metragem tem no elenco Hugo Carvana, José Dumont, Cláudio Marzo, Renta Sorrah e Marcos Palmeira. Com Antonio Lerite, Marcélia Cartaxo, “Fronteira das Almas” (1987), de Hermano Penna, trata das dificuldades enfrentadas por um grupo de agricultores no interior de Rondônia.

“Uirá, Um Índio em Busca de Deus” (1974), de Gustavo Dahl, é baseado em livro de Darcy Ribeiro e acompanha trajetória de um membro da etnia Urubu-Kaapor na busca pela "terra sem males" e foi preado no Festival de Gramado. Por sua vez, José de Alencar foi a inspiração para “A Lenda de Ubirajara” (1975), no qual o diretor André Luiz Oliveira conta a história de um filho de cacique da tribo araguaia que parte em busca de sua amada.

Sessão especial – Eis os Delírios do Mundo Conectado

Em “Eis os Delírios do Mundo Conectado” (EUA, 2016), o cineasta alemão Werner Herzog (de “Caverna dos Sonhos Esquecidos”, “Vício Frenético” e “O Homem Urso”) aborda o mundo virtual, desde as suas origens até os seus maiores desenvolvimentos. Estão incluídas na obra entrevistas provocativas com expoentes da área tecnológica que revelam as maneiras pelas quais o mundo on-line transformou a forma como praticamente tudo no mundo real funciona – do negócio à educação, de viagens espaciais à medicina – e a própria maneira como lidamos com nossos relacionamentos pessoais. No longa-metragem, lançado pelo Sundance Festival, o premiado diretor alemão explora a paisagem digital com a mesma curiosidade e imaginação que marcam suas obras, chegando a um resultado fascinante.

Mostra contemporânea internacional

Representando 19 países, os 39 títulos da Mostra Contemporânea Internacional estão organizados em sete eixos temáticos: alimentação & gastronomia; cidades; contaminação; economia; mudanças climáticas; povos & lugares; e trabalho. Do total, 33 produções são inéditas no Brasil.

Em ‘cidades’, destaca-se o vencedor do Prêmio Goya para melhor documentário espanhol, “Frágil Equilíbrio” (2016), de Guillermo García López, no qual três histórias passadas em diferentes continentes se entrelaçaram e são articuladas pelas palavras de Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai. O dinamarquês “Império da Fantasia” (2016), dirigido por David Borenstein, focaliza uma migrante rural chinesa que chega a Chongqing, conhecida como a cidade com o crescimento mais rápido do mundo, e abre uma empresa de “figurantes estrangeiros”, que aumentam a venda de novos empreendimentos. Selecionado para o Festival de Berlim, o chinês “Minha Terra” (2015), de Jia Fan, tem como protagonista um trabalhador migrante rural que vive de cultivar e vender legumes nos arredores de Pequim e vês sua terra retomada para dar lugar a um empreendimento imobiliário. Estão programados ainda os curtas-metragens “Champ des Possibles” (de Cristina Picchi, Canadá, 2015), um ensaio poético selecionado para o Festival de Veneza onde memórias se misturam com sons da cidade de Montreal, e “Terra de Muitos Palácios” (de Song Ting e Adam James Smith, Canadá, 2015), sobre uma cidade chinesa projetada para ser uma metrópole futurística, mas que conta com a apenas 2% dos seus edifícios ocupados.

Em ‘alimentação & gastronomia’ está o longa-metragem “Insetos! – Uma Aventura Gastronômica” (de Andreas Johnsen, Dinamarca/Holanda/França/Alemanha/Bélgica, 2016), que acompanha uma equipe de jovens chefes e pesquisadores que correm o globo saboreando insetos em comunidades tradicionais, aprendendo o que alguns dos dois bilhões de pessoas que já comem insetos têm a dizer. O norte-americano “Sustentável” (de Matt Wechsler, 2016) investiga a instabilidade econômica e ambiental de nosso sistema alimentar e as questões agrícolas que enfrentamos. Já o belga “Os Libertadores” (de Jean-Christophe Lamy e Paul-Jean Vranken, 2015) aborda a agricultura alternativa e seu comércio, focalizando fazendas de pequena escala, dirigidas por famílias, e como o solo desempenha um papel importante para uma agricultura sustentável. Em “Desejo de Carne” (2015), a apresentadora da TV holandesa e diretora do filme Marijn Frank explora o dilema entre o amor pela carne e os argumentos racionais contra os produtos da indústria de carne. Ela é uma jovem mãe que tenta, mais uma vez, parar de comer carne tornando-se aprendiz de um matadouro e fazendo terapia. O filme, que foi exibido no Festival de Berlim, examina de forma divertida valores morais, hipocrisia e o simbologia ligada à carne. Já o canadense “Batalha Inuk” (de Alethea Arnaquq-Baril, 2016), exibido no Festival de Berlim, mostra como a caça de focas é uma parte essencial da vida da nação indígena esquimó dos inuítes, fornecendo alimento e peles como matéria-prima para seus produtos. Mas seu modo de vida sustentável é ameaçado quando grandes ativistas influenciam o Parlamento Europeu para proibir os produtos de focas, e outras nações minam recursos naturais de suas terras.

O destaque do tema ‘contaminação’ é “O Suplício: Vozes de Chernobyl” (de Pol Cruchten, Luxemburgo/Áustria/Ucrânia, 2015), baseado em livro da vencedora do Prêmio Nobel Svetlana Alexievich e que focaliza o mundo em torno do maior acidente nuclear da história, ocorrido na Ucrânia, em abril de 1986. Contando com participações de personalidades como a escritora Naomi Klein, autora de “No Logo”, a produção canadense “Até o Fim da Terra” (de David Lavallée, 2016) é narrado pela atriz e roteirista britânica Emma Thompson. A obra dá voz àqueles que não apenas denunciam a ascensão da energia extrema, mas que também imaginam o novo mundo que forma em seu lugar. Em “Cheirando Mal” (EUA, 2015), o norte-americano Jon J. Whelan revela, de forma divertida, que alguns produtos em nossas prateleiras simplesmente não são seguros. Por sua vez, “O Rio Jarcom” (de Avi Belkin, Israel, 2016) focaliza a história do rio mais malvisto de Israel, desde seus dias de glória, quando judeus e árabes compartilhavam seus recursos, até ser conhecido como o mais poluído e perigoso do país. Com narração da atriz Rachel McAdams e participação do músico Sting, “Mar Ensurdecedor” (de Michelle Dougherty e Daniel Hinerfeld, EUA, 2015) alerta para o impacto do ruído industrial e militar sobre as baleias, causando a perda de audição destes animais, que começam a fugir de seu próprio habitat. “Terra Abandonada” (de Gilles Laurent, Bélgica, 2016) vai à zona evacuada em torno da usina nuclear de Fukushima (Japão) e descobre nesta uma área contaminada pessoas que cultivam uma terra cheia de radiação. Também passado na zona interditada após o acidente da usina nuclear de Fukushima, o curta-metragem de animação “Zona Proibida” (Bélgica, 2016) narra o cotidiano do último homem que lá permaneceu.

Eleito como melhor documentário nos prêmios César (o “Oscar do cinema francês) e extraordinário sucesso de público, “Amanhã” (2015) é o grande destaque do eixo temático ‘economia’. Codirigido, ao lado de Cyril Dion, por Mélanie Laurent, premiada atriz de “Bastardo Inglórios” e realizadora do longa “Respire”, trata-se de uma jornada por várias partes do mundo em busca de soluções nos campos da agricultura, energia, economia, democracia e educação. O filme apresenta, através de um roteiro dinâmico, ações concretas e positivas que já estão funcionando, começando, assim, a descobrir como poderia ser o mundo de amanhã. “A Estrada” (de Zhang Zanbo, China/Dinamarca, 2015) aborda a construção de uma rodovia e flagra violência e corrupção ao acompanhar moradores forçados a se mudar, templos retirados do caminho e trabalhadores migrantes em condições de trabalho extremamente precárias. A produção austríaca “Espólio da Terra” (Kurt Langbein, 2015), que obteve grande circulação no circuito internacional de festivais, mostra como o capital financeiro global redescobriu um valioso segmento de negócios, as terras agrícolas. Já “O Custo do Transporte Global” (de Denis Delestrac, Espanha/França, 2016) promove uma audaciosa investigação sobre o transporte marítimo de mercadorias e lança luz sobre os custos por trás dessa indústria. Lançado pelo prestigioso Festival de Roterdã, “Sonhos Conectados” (de Manu Luksch, Martin Reinhart e Thomas Tode, Áustria/Alemanha/Reino Unido, 2015) tem narração da atriz britânica Tilda Swinton e resgata desejos e ansiedades do mundo atual em mais de cem anos atrás, quando o telefone, o cinema e a televisão eram novidades.

Em ‘mudanças climáticas’ está “É Hora de Decidir” (EUA, 2016), dirigido pelo cineasta premiado com o Oscar Charles Ferguson e narrado pelo ator Oscar Isaac. O filme aborda desafios e soluções mundiais em relações às mudanças climáticas. “A Era das Consequências” (de Jared P. Scott, EUA, 2017) promove uma vigorosa investigação, sob o ponto de vista da estabilidade mundial e segurança nacional dos Estados Unidos, revelando como o impacto das mudanças climáticas interagem com tensões sociais, provocando escasses de recuros, imigração e conflitos ao redor do mundo. “Furacão - A Odisséia do Vento” (de Cyril Barbaçon, Andrew Byatt e Jacqueline Farmer, França/Bélgica, 2015) acompanha o furacão Lucy, desde seu início, como uma tempestade de areia no Senegal, seguindo-o pelo Oceano Atlântico, Porto Rico, Cuba e Louisiana (EUA). Dirigido por Pieter Van Eecke e vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Chicago, o longa-metragem “Samuel Entre as Nuvens” (Bélgica/Holanda, 2016) focaliza um senhor operador de teleférico nas altas montanhas da Bolívia, onde as as geleiras estão se derretendo.

“Uma Caçadora e Sua Águia” (de Otto Bell, EUA, 2016) é o grande destaque de "​povos & lugares”. Com uma linguagem envolvente e narrado pela atriz inglesa Daisy Ridley, focaliza uma garota de 13 anos da Mongólia que está tentando se tornar a primeira mulher de sua família a domar águias. A produção teve sua estreia mundial no Sundance Festival. “Sherpa, Tragédia no Everest” (de Jennifer Peedom e Renan Ozturk, Austrália/Reino Unido, 2015) conta com produção de John Smithson, responsável por “127 Horas”, e causou ao abordar o acidente ocorrido no Monte Everest, em 2014, quando um bloco de 14 milhões de toneladas de gelo caiu na rota de escalada matando 16 sherpas, o povo nativo que leva alpinistas estrangeiros para o topo da montanha. Em “A Resistência” (Austrália, 2016), a diretora australiana Hollie Fifer levanta questão de como podemos construir a indústria eticamente sustentável nos países em desenvolvimento a partir de uma batalha entre moradores de uma localidade na Papua Nova Guiné e um multimilionário projeto de “desenvolvimento” que inclui um hotel cinco estrelas, um porto e apartamentos executivos. Vencedor do prêmio do público no badalado Festival SXSW - South by Southwest (EUA), “A Terra dos Fantasmas Vista pelos Bushmen” (de Simon Stadler, Alemanha, 2016) acompanha uma curiosa viagem à Europa de membros de povo nômade africano, descendentes de uma das culturas mais antigas de planeta. Já “Anuktatop: A Metamorfose” (de Nicolas Pradal e Pierre Selvini, França/Guiana Francesa, 2016) mostra um universo onírico em meio à floresta amazônica da Guiana Francesa, incluindo fantasias sobre o centro de lançamentos de foguetes da Agência Espacial Europeia, lá localizado. Vencedor do prêmio especial do júri no Sundance Festival, “Quando Dois Mundos Colidem” (de Heidi Brandenburg Sierralta e Mathew Orzel, Reino Unido, 2016) mostra o embate, muitas vezes caótico e extremamente violento, entre o governo peruano e os povos indígenas que vivem na floresta amazônica, por conta de interesses econômicos na extração de petróleo, minerais e gás. Selecionada para os importantes festivais de São Francisco e IDFA-Amsterdã, “Salero” (de Mike Plunkett, EUA, 2015) é uma viagem poética por Salar de Uyuni, na Bolívia, a maior planície de sal do mundo, com mais de dez mil quilômetros quadrados e um dos lugares mais isolados do planeta, tendo por protagonista um dos últimos coletores de sal.

O eixo temático ‘trabalho’ tem como um de seus destaques “Máquinas” (de Rahul Jain, Índia/Alemanha/Finlândia, 2017), vencedor do prêmio de melhor documentário da mostra World Cinema do Sundance Festival. A obra se passa em uma fábrica têxtil da Índia, movendo-se através dos corredores e entranhas da gigantesca estrutura para revelar um local de trabalho desumanizador. Já “Complexo Fabril” (de Heung-Soon Im, Coréia do Sul, 2015) que foi vencedor do Leão de Prata no Festival de Veneza, lança um olhar poético sobre o significado do trabalho a partir da opressão sofrida por mulheres operárias na Ásia. “Brumário” (de Joseph Gordillo, França/Espanha, 2015) utiliza imagens de grande plasticidade sobre a última mina francesa de carvão e investiga como é o cotidiano dos habitantes do local. Uma denúncia sobre o desastre ecológico provocado pelo avanço da mineração no interior da Mongólia, “Gigante” (de Zhao Liang, França, 2015) foi laureado no Festival de Veneza com o prêmio Green Drop, outorgado ao filme que melhor abordam a ecologias e o desenvolvimento sustentável. Documentário em preto e branco que segue a vida de quatro trabalhadores na construção de uma estrutura de tratamento de esgoto, “Algo de Grandioso” (de Fanny Tondre, França, 2016) captura a coreografia da construção e os operários entre os andaimes, guindastes e betoneiras. O curta-metragem “Consumido” (de Richard John Seymour, Reino Unido, 2015) é uma viagem cinematográfica, entre o documentário e a ficção, por paisagens, minas, fábricas e estaleiros de produção chinesa.

Competição Latino-Americana

No longa-metragem “A Grande Nuvem Cinza” (Brasil, 2016 o diretor Marcelo Munhoz acompanha quatro famílias que vivem (ou viveram) do plantio de fumo em uma pequena cidade no Paraná. “Aracati” (de Aline Portugal e Julia de Simone, Brasil, 2015) foi exibido no importante festival IDFA-Amsterdã e seu objeto é o vento de mesmo nome, que parte do litoral cearense e adentra 400km pelo interior do estado. O curta mexicano “Aurelia e Pedro” (de Omar Robles e José Permar, 2016), projetado no Festival de Berlim, traça um sensível retrato da relação simbiótica entre uma pequena família indígena e sua terra remota. “Banco Imobiliário” (de Miguel Antunes Ramos, Brasil, 2016) discute o crescimento desordenado das cidades através de verdadeiras aberrações no mercado imobiliário.

“Damiana Kryygi” (de Alejandro Fernandez Moujan, Argentina, 2015) recupera uma impressionante história ocorrida em 1896, quando uma menina de três anos da etnia Aché sobrevive ao massacre de sua família, perpetrado por colonos brancos, e é batizada com o nome de Damiana por seus captores, tendo sido posteriormente convertida em objeto de interesse científico para seus estudos raciais. O curta-metragem “Casa à Venda” (de Emanuel Giraldo Betancur, Cuba/Colômbia, 2016), selecionado para o Sundance Festival, mostra uma nova realidade cubana, quando o governo passa a permitir a livre compra e venda de casas. A animação “Caminho dos Gigantes” (de Alois Di Leo, Brasil, 2016) se passa em uma floresta de árvores gigantes onde uma menina indígena de seis anos vai desafiar seu destino e entender o ciclo da vida. “Bento” (de Gabriela Albuquerque e Luísa Lanna, Brasil, 2017) é um ensaio sobre a história do subdistrito de Bento Rodrigues, destruído pelo rompimento da barragem do Fundão, da empresa Samarco, em novembro de 2015, considerada o desastre industrial que causou o maior impacto ambiental da história brasileira e o maior do mundo envolvendo barragens de rejeitos.

Selecionado para a Semana da Crítica do Festival de Locarno, o longa-metragem “El Remolino” (2016), da diretora Laura Herrero Garvín, focaliza dois irmãos moradores em uma pequena comunidade de Chiapas que anualmente é atingida por fortes enchentes do rio Usumacinta. O curta argentino “Esta é a Minha Selva” (Argentina, 2015), dirigido por Santiago Reale e selecionado para os festivais de Mar del Plata, Viña del Mar e BAFICI, retrata um pequeno povoado que foi devastado por uma inundação e onde dois jovens passam o tempo livre andando de bicicleta e caçando pássaro. “Das Águas que Passam” (de Diego Zon, 2016), único filme brasileiro em competição no Festival de Berlim de 2016, acompanha um pescador e suas relações com o local e as pessoas que o cercam. “Entremundo” (Brasil, 2015), de Thiago B. Mendonça e Renata Jardim, focaliza o cotidiano de uma localidade descrita como o bairro mais desigual da cidade de São Paulo.

Em “Estrutural” (Brasil, 2016), o diretor Webson Dias aborda conflitos ocorridos no Distrito Federal durante os anos 1990, enquanto que o cineasta Pedro Diógenes discute em “Fort Acquario” (Brasil, 2016) a construção de um megaempreendimento na Praia de Iracema (Fortaleza). O curta-metragem “Galeria Presidente” (de Amanda Gutiérrez Gomes, Brasil, 2016) focaliza um centro comercial que é, ao mesmo tempo, espaço de convivência e de resistência cultural de imigrantes africanos

“Modo de Produção” (de Dea Ferraz, Brasil, 2017) focaliza o cotidiano de um sindicato rural pernambucano e faz refletir sobre uma massa de trabalhadores à mercê de mecanismos burocráticos. O curta-metragem colombiano “Micromundo em Uma Sacada” (de Lina Crespo e Gabriel Escobar, 2016) mostra seres fantásticos que habitam nossas cidades. Em apenas um minuto, o mexicano “Não é Brincadeira” (de Daniel Aviña, 2016) mostra, através de jogos, o dano que fizemos para o o planeta em que vivemos.

Vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Biarritz, o uruguaio “Nueva Venecia” (de Emiliano Mazza de Luca, 2016) traz uma história de realismo mágico no meio da maior lagoa da Colômbia. A seca em São Paulo é o ponto de partida do longa-metragem “O Jabuti e a Anta” Brasil, 2016), no qual a diretora Eliza Capai, busca entender as obras faraônicas agora construídas no meio da floresta amazônica. Selecionada para o Festival de Roterdã e eleito melhor documentário no Festival de Cartagena de Índias, o chileno “O Vento Sabe que Volto à Casa” (de José Luis Torres Leiva, 2016) trata, de forma original, da difícil relação entre a população indígena da Ilha Grande de Chiloé, que fica no Oceano Pacífico, com os mestiços (descendentes de colonos) e o racismo que ainda perdura até hoje no local. O curta-metragem mexicano “O Mergulhador” (de Esteban Arrangoiz, 2016) foi selecionado para o Festival de Berlim e tem como protagonista o mergulhador chefe do sistema de esgotos da Cidade do México.

O longa-metragem “Substantivo Feminino” (de Daniela Sallet e Juan Zapata, Brasil, 2016) resgata a história de duas mulheres pioneiras e fundamentais para a militância ambiental no Rio Grande do Sul e no Brasil. Três curtas-metragens brasileiros destacam o cotidiano de crianças da aldeia Aiha Kalapalo, do Parque Indígena do Alto Xingu (“Osiba Kangamuke - Vamos Lá, Criançada”, de Haja Kalapalo, Tawana Kalapalo, Thomaz Pedro e Veronica Monachini, 2016), as consequências do rompimento da represa de resíduos de minério de ferro ocorrido em 2016 em Mariana, MG (“Rio da Morte”, de Elizabeth Rocha Salgado, 2016) e o surgimento do mundo, apresentado a partir do encontro de uma paisagem devastada e uma criatura misteriosa (“Solon”, de Clarissa Campolina, 2016).

Selecionado para os festivais Cinéma du Réel (França) e de Brasília, “Taego Ãwa” (de Henrique Borela e Marcela Borela, Brasil, 2016) focaliza o grupo Ãwa, conhecidos como Avá-Canoeiros, e sua trajetória de desterro e cativeiro em meio à luta por sua terra tradicional. “Volume Vivo – De Onde Vem a Água?” (de Caio Silva Ferraz, Brasil, 2016) mostra como o modo de uso e ocupação do solo no Brasil, marcado fortemente pelo desmatamento, não considera os biomas locais e seus serviços ecossistêmicos. O mexicano “Tlalocan, Paraíso da Água” (de Andrés Pulido, 2016) se desenrola em torno de uma contradição: a Cidade do México já foi um lago, mas atualmente vive sérios problemas de falta de água.

Três obras têm première mundial na Competição Latino-Americana. O longa-metragem “Não Respire - Contém Amianto” (de André Campos, Carlos Juliano Barros e Caue Angeli, Brasil, 2017) denuncia como a indústria do amianto tenta vender a imagem de que o tipo de minério usado no bilionário mercado de telhas não é tão ruim assim. O curta-metragem “Terminal 3” (de Thomaz Pedro e Marques Casara, Brasil, 2016) se passa durante a construção das grandes obras para a Copa do Mundo FIFA de 2014, quando um grupo de 150 homens foi encontrado em situação de trabalho escravo na construção de um terminal do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos. Passado no Quilombo de Damásio, localizado no litoral maranhense, o curta “A Grande Ceia Quilombola” (de Ana Stela e Rodrigo Sena, Brasil, 2017) retrata os saberes de uma cultura na qual a comida tem um papel fundamental na coesão social.

Concurso curta ecofalante

Dedicado à produção audiovisual de estudantes universitários e de escolas técnicas de audiovisual, o Concurso Curta Ecofalante contempla o melhor trabalho com R$ 3 mil. Os sete títulos selecionados concorrem ainda ao prêmio do público. Seis curtas foram selecionados para essa edição, considerados os melhores em qualidade técnica e relevância do tema.

“Ciclo Urbano”, dirigido por Washington Assis, da Escola Técnica Estadual Jornalista Roberto Marinho (SP) (2015) aborda as alegrias e os desafios do ato de pedalar na cidade de São Paulo. Produção da Universidade Federal de Pernambuco, “Disforia Urbana” (de Lucas Simões, 2015) focaliza a vida na cidade, mostrando que, apesar de todo seu movimento e celeridade, ela é na verdade solitária e monótona. “O Céu Desaba” (de Mariana Gomes, Universidade Federal do Ceará, 2016) trata dos conflitos entre homem e natureza por meio das transformações na paisagem da praia do Icaraí, no Ceará.

“Obra Autorizada” (de Iago Cordeiro Ribeiro, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, 2016) traz tem como objetos uma casa, um beco e as pessoas de Cachoeira, Bahia, Cidade Monumento Nacional. “Porto, Maravilha para Quem?” (Brasil, 2017, 13 min), produção da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro dirigida por Gabriela Maia, Jaqueline Suarez e Luis Henrick Teixeira, mostra as principais mudanças que ocorreram na região portuária da cidade do Rio de Janeiro nos últimos anos e como o projeto de revitalização tornou-se também um processo de remoções diretas e indiretas. Já o curta-metragem da ECA/USP “Valéria, Mulher da Terra” (de Barbara Monfrinato, Bruno Vaiano, Guilherme Fernandes, Leandro Bernardo e Roberta Vassallo, 2016) focaliza a presidente da cooperativa de agricultores que procuram meios conscientes de cuidar da terra, na zona sul paulistana.

Mostra escola

Em circuito de exibição voltado a instituições de ensino, a programação é composta por dez títulos, com destaque para a animação vencedora do Oscar© “Rango” (de Gore Verbinski, EUA, 2011), sobre um camaleão da cidade grande que vai parar, após um acidente, em pleno velho oeste. Outro filme infantil de animação presente é “Animais Unidos Jamais Serão Vencidos” (de Reinhard Klooss e Holger Tappe, Alemanha, 2010), no qual animais – muitos deles inimigos implacáveis – se unem para devolver o abastecimento de água da planície africana, bloqueado por uma enorme barragem e um resort.

O premiado longa-metragem “Efeito Reciclagem” (de Sean Walsh, Brasil, 2010, 92 min) acompanha um catador e sua numerosa família, incentivando a reflexão sobre a necessidade urgente de reciclar não só materiais e produtos, mas também atitudes e ideias. O francês “(R)Evoluções Invisíveis” (de Philippe Borrel, 2014) mostra como algumas pessoas decidiram dar as costas à aceleração da vida e tentam retardar tal movimento. O brasileiro “O Homem do Saco” (de Carol Wachockier, Felipe Kfouri e Rafael Halpern, 2015) relaciona a figura do personagem que levava crianças desobedientes em sua sacola com um homem que vive à margem da sociedade, catando materiais recicláveis para seu sustento.

Dois longas-metragens norte-americanos focalizam um grupo secreto de especialistas de aluguel extremamente carismáticos e eloquentes (“O Mercado da Dúvida”, de Robert Kenner 2014) e o impacto que a indústria da moda tem causado no mundo (“O Verdadeiro Preço”, de Andrew Morgan, 2015). Já em “Jaci: Sete Pecados de Uma Obra Amazônica” (2014), no brasileiro vencedor da Competição Latino-Americana da 5ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, os cineastas Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros focalizam como uma pequena cidade na Amazônia é radicalmente transformada a partir do início da construção de uma hidrelétrica.

Completam o programa dois curtas-metragens. A animação alemã “Auto-Fitness” (de Alejandra Tomei e Alberto Coucei, 2015) trata do automatismo humano e nossa relação diária com o dinheiro e com o tempo. Já o brasileiro “Para Onde Foram as Andorinhas?” (de Mari Corrêa, 2015) capta como os povos habitantes do Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso, estão percebendo e sofrendo cotidianamente os impactos das mudanças climáticas, do intenso uso de agrotóxicos e do desmatamento desenfreado.

6ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental
1 a 14 de junho de 2017
entrada franca
Locais
Cine Reserva Cultural,
Cine Caixa Belas Artes,
Circuito Spcine Lima Barreto (Centro Cultural São Paulo),
Circuito Spcine Olido,
Circuito Spcine Cidade Tiradentes,
Circuito Spcine Roberto Santos,
Circuito Spcine Aricanduva, Circuito Spcine Butantã, Circuito Spcine Caminho do Mar, Circuito Spcine Feitiço da Vila, Circuito Spcine Jaçanã, Circuito Spcine Jambeiro, Circuito Spcine Meninos, Circuito Spcine Parque Veredas, Circuito Spcine Paz, Circuito Spcine Perus, Circuito Spcine Quinta do Sol, Circuito Spcine São Rafael,
Circuito Spcine Três Lagos, Circuito Spcine Vila Atlântica, Circuito Spcine Vila do Sol,
Fábrica de Cultura Vila Curuçá, Fábrica de Cultura Sapopemba, Fábrica de Cultura Itaim Paulista, Fábrica de Cultura Parque Belém, Fábrica de Cultura Brasilândia, Fábrica de Cultura Capão Redondo, Fábrica de Cultura Jaçanã, Fábrica de Cultura Jardim São Luís, Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha.

Realização: Ecofalante, Ministério da Cultura, Governo Federal, Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo
correalização: Spcine e Secretaria de Cultura da Prefeitura de São Paulo
patrocínio: Sabesp e Pepsico
apoio: Goodyear, White Martins, Guarani - Mais que Açúcar e Instituto Clima e Sociedade
Lei de Incentivo à Cultura e Programa de Apoio à Cultura (ProAC).

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