Agressão na Ferrugem

Surfista agredido na praia da Ferrugem dá o seu depoimento sofre fato lamentável que depõe contra comunidade de pescadores de Santa Catarina.

por Redação Almasurf, 22/06/2017
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Portal catarinense Gmídia publica o relato de João Ricardo Ferreira, Bombeiro Militar do Paraná e Guarda-Vidas, agredido na Praia da Ferrugem na semana passada. 

“Era um dia lindo, a praia cheia, famílias e crianças por todos os lados. Eu já havia surfado pela manhã e estava na praia com a minha esposa, filho de 6 anos e sobrinha de 14 anos, quando chegou um grupo de pescadores e parou muito próximo de onde estávamos. Como todos já estão habituados a presenciar, começaram a xingar, intimidar, e insultar todos os surfistas que saiam da água por conta da bandeira que limita o espaço para prática do esporte.

O Sr. Lucio Botelho, conhecido morador e que se diz pescador, começou a agredir fisicamente com um material de cor alaranjada um garoto que saiu da água com sua prancha. O garoto não reagiu e por um trecho de uns 20 metros levou empurrões e muitas bordoadas no rosto e na cabeça, tentando sair da situação abaixo de insulto e humilhação. Muita gente viu, ficou desconfortável, mas não fez nada, então minha esposa ligou para a Polícia Militar e informou a situação de agressão aos turistas por parte dos pescadores.

Passados nem 10 minutos, o próximo surfista saiu da água, um senhor aparentando 50 anos. E começou novamente a série de humilhação, insultos e muitas bordoadas no rosto e cabeça por parte do Sr. Lucio Botelho. Ao ver novamente isso acontecendo bem na minha frente, levantei, fui em direção a eles e gritei ‘Ei! Não precisa bater nas pessoas, você vai perder a razão desse jeito! Resolve na paz.’ Nesse momento, o pescador veio em minha direção me xingando e me deu um empurrão muito forte. Em tom ameaçador, chutou areia no meu rosto, e veio para cima de mim novamente. Nessa hora reagi, empurrando ele de volta, e nessa altura, minha família já estava cercada por todos os pescadores.

Então, o Lucio Botelho foi para cima da minha esposa, que estava indignada tentando defender a família, e a empurrou fortemente, ameaçando agredi-la. Em meio aos pescadores, gritei para ele: ‘Você gosta de bater em mulher né?! Porque não tenta bater em mim?’

Neste instante, apareceu pela minha lateral, por trás de outros pescadores, um outro homem que, muito possivelmente, seja familiar do Sr. Lucio Botelho, porém ainda não consegui identificá-lo, e me desferiu um golpe com um pedaço de pau. Primeiro pegou no braço, o segundo na face do lado direito, ao lado do olho.

Imediatamente, identifiquei o agressor, que já tentava fugir e o segurei, imobilizando-o e jogando-o na areia, segurando-o pelo pescoço. Ao ver isso, os seus comparsas começaram a me bater nas costas e pelo corpo e gritar: ‘Solta ele, solta ele! Ele vai morrer, vai morrer! Ele tem problema!’ Então o soltei, ele fugiu imediatamente e não o vi mais.

Os outros continuaram em volta ameaçando, mas já havia outras pessoas que correram até o local para ajudar. Os pescadores começaram a sair em direção ao rancho proferindo diversas ofensas a mim e a todos que estavam juntos. Entrei em contato com o 190 informando o fato, e me identifiquei para o grupo de pescadores como Bombeiro Militar do Estado do Paraná. Informei que eles seriam todos denunciados pelo crime que haviam acabado de cometer contra mim e minha família.

Após uma longa espera tremendamente humilhante, já estava juntando as coisas para ir embora, chegou a viatura da Polícia Militar. Relatei os fatos, expliquei tudo o que aconteceu e orientei que o grupo estava reunido próximo ao local no rancho de pesca. Porém, infelizmente, fui informado que não poderia ser feito a prisão em flagrante dos agressores, que estavam em um número considerável e a guarnição da PM poderia causar um transtorno maior. Fui orientado a procurar a Delegacia de Polícia Civil e prestar queixa por Crime de Lesão Corporal. Foi o que fiz, no sábado mesmo. Fiz exame no IML de Laguna, e agora aguardo a investigação por parte da Polícia Civil de Garopaba.

Não apareceu mais nenhum pescador reclamar na bandeira, nem houve qualquer ou discussão, como os boatos espalhados. O único surfista que se envolveu nesse dia em luta corporal contra pescadores fui eu. Existem duas bandeiras vermelhas na areia que delimitam a área para prática do surf durante o período de Pesca da Tainha. Não existe nenhum tipo de orientação sobre as regras da praia, muito menos representantes da comunidade de pesca orientando e explicando como tudo funciona. Para a maioria das pessoas, bandeira vermelha na praia é sinal de mar perigoso. Os pescadores do local apenas chegam na beira do mar com uma tremenda falta de respeito, uma ignorância sem tamanho, um desrespeito total a todos e vão de maneira extremamente truculenta xingando, intimidando e ameaçando todos os que saem da água, na maioria das vezes, turistas, que desconhecem essa regra.

Fui agredido por tentar auxiliar as partes envolvidas. Podia ter perdido a visão em um dos olhos, estou cheio de lesões pelo corpo, minha esposa foi agredida e exposta, minha sobrinha menor foi agredida levou uma paulada na perna que ficou marcada por dias, e meu filho de 6 anos até agora não esquece da confusão. Perdi dias de trabalho, tive que alterar minhas obrigações de instrução dentro do quartel. Por onde vou, com o rosto todo marcado, tenho que ficar dando explicações; deixei de fazer algumas atividades durante dias.

Sou surfista desde os 14 anos e conheço muito bem as regras da Ferrugem. Frequento e preservo essa praia há mais de cinco anos consecutivos, respeito as regras das bandeiras e os locais. Não vou deixar de frequentar a praia, surfar em frente minha casa e levar minha família. Não vou me intimidar por nada. Não podemos ficar reféns da ignorância. O mal só existe quando temos a oportunidade e deixamos de fazer o bem.

Se alguém tiver informações sobre os agressores e deseja ajudar a identificá-los, por favor, pode entrar em contato comigo pelo meu e-mail joaoricardoferreira57@gmail.com, ou direto com a Delegacia de Polícia Civil de Garopaba. Agradeço muito aos que foram ao nosso socorro no momento. Vocês fazem a diferença para um mundo melhor para todos. Grande abraço, boa praia e boas ondas a todos!”.

Fonte Garopaba Midia  

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