Black Box Tour / Lisboa

Ariel Vassa, Danka Umbert, Danilo Rocco e Rodrigo Vellutini percorrem o velho continente para 80 dias de música e cultura de rua.

por Marco Ferragina, 18/07/2017
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Uma caixa preta registra tudo que acontece em uma viagem, e você nunca sabe o que está dentro dela.

Pensamos que o nome Black Box era ideal, uma vez que planejamos viajar ao redor do mundo em um motorhome preto cheio de todos os tipos de artistas.

Nossa idéia é unir artistas locais da ilha de Florianópolis, uma cidade que está se tornando um dos principais centros de música,
esportes e arte no país.

Pretendemos levar nossa cultura e influências para diferentes lugares e pessoas, através de eventos movidos pelo intercâmbio cultural.

O foco principal será incentivar a cena local em cada lugar que visitamos, com música, pintura ao vivo e tatuagens de flash realizados pelo Black Box equipe, e sempre convidando um ou dois artistas locais, músicos para participar.

Durante os meses de verão, enquanto o tempo está agradável e quente, os alunos estão de férias e as pessoas estão andando
nas ruas, parques e praias. Também é o momento em que os grandes festivais culturais acontecem em torno da Europa.

Para iniciar a cobertura da Black Box Tour, ouvimos os integrantes, que falam com exclusividade ao Blog Almasurf:

Ariel Vassa - 27 - Indaial (SC)

Nascido em Santa Catarina, reside há 9 anos em Florianópolis. Influenciado pela cultura do skate, começou a se envolver com arte desde cedo. Essa vivencia trouxe a identidade para seu trabalho, traços em nanquim e um conceito por trás de cada ilustração são características marcantes.

Formado em design gráfico, com cursos de direção de arte e branding pela ESPM, trabalhou como diretor de arte nas maiores agências de Florianópolis.

Seu trabalho autoral o levou a fazer trabalhos como o encarte do novo album do MV BILL, desenvolver marcas sólidas, estampas e ilustrações originais.

Trabalha como designer no Black Joy, uma galeria de arte em Florianópolis.

Danka Umbert - 27 - Florianópolis (SC)

Olhares que indagam, que se comunicam em silêncio com quem os encara – seja nos muros de concreto, no movimento de camisas que passeiam pela cidade ou nas telas que colorem os ambientes, as diferentes mulheres que o artista plástico Danka Umbert retrata possuem esse ponto em comum: O mistério do olhar feminino. Intenso como um blues antigo ou leve como a brisa do mar, cada retrato conta uma diferente história, sempre inspirados pelos sentimentos intensos do artista, em união perfeita com sua paixão pela natureza e pelo surf.

Natural de Florianópolis, Santa Catarina, Danka iniciou sua trajetória nas telas para depois partir para o graffitti. Aos 26 anos, já cruzou a ponte de Florianópolis para o mundo, levando suas musas inspiradoras para exposições em Novo Hamburgo, Indonésia e Japão. Ao longo de sua história, participou de vivências com renomados artistas como o catarinense Diego de Los Campos e o inglês John Howard, para o refinamento de sua própria técnica de criação: Aquela que vem de dentro da alma, usando a intuição como principal guia nas composições.

Suas obras em acrílica sobre tela conquistaram clientes como Converse, Wiskey Jameson, Red Bull e LOST.

A última exposição do artista aconteceu no Black Joy – café e galeria de arte localizado na Lagoa da Conceição.  

Danilo Rocco - 27 - Campinas (SP)

Danilo Rocco, conhecido Drocco, ilustrador e tatuador nascido nos arredores de São Paulo, reside atualmente em Florianópolis, onde estuda Design na UFSC.

Criador da marca Tropical Disease, seu trabalho consiste principalmente de desenhos de preto extremamente detalhados, desenhos aplicados à serigrafia e tatuagens.

Tatuador há 3 anos, Drocco ganhou notoriedade por seu estilo único e uma mistura de pointillismo, tatuagens de linhas finas e tatuagens em preto. Atualmente é artista residente no Black Joy e no Art Live Lab, os dois únicos locais em Florianópolis que são estúdios de tatuagem e galerias de arte.

Rodrigo Vellutini -27 - São Paulo (SP)

Rodrigo Vellutini é um produtor / DJ, com seu projeto musical Shaka que ele tocou em muitos locais, desde Tribaltech, Coala Festival e Universo Paralello Festival de casas noturnas famosas no Brasil, como Lions Nightclub, Clash Club e muitos outros. Compartilhando o palco com artistas como Criolo, Marcelo D2, Black Alien, Bexiga 70 e Tom Zé.

Em busca do que o fez começar sua jornada na produção musical, ele fundou seu novo projeto solo, Afterclapp, que teve sua festa de estréia em Barcelona.

Ele também se aventurou em design de trilha sonora e ganhou e recentemente foi premiado com “Best Soundtrack” pelo MIMPI Surf Film Festival na sua seleção musical para o filme “Um Filme de Surfe” do diretor Bruno Zanin. E produziu recentemente a trilha sonora para o novo anúncio de Layback Beer.

Como DJ, ele é bastante eclético, tocando sets que vão desde o Brazilian Beats ao Hip Hop, Breaks, Glitch, Bass Music, Trip Hop e até Chillout.

Qual a data que inicia a trip?

A tour teve início no dia 15 de Julho no Bar das Flores em Lisboa, terá a duração de 80 dias pelo território Europeu, passando pelas cidades mais importantes e influentes no quesito arte e cena artística. Começamos por Lisboa, já que é o pais mais abaixo da Europa. A intenção é ir subindo e retornar em meados de outubro.

Quais paradas estão confirmadas/previstas?

Estão confirmadas eventos em Porto (Portugal), Amarante (Portugal), Barcelona (Espanha). Estamos negociando e fechando outros eventos em Paris, Londres, Amsterdam e Berlim. A ideia é ficar pelo menos 10 dias em cada um desses lugares, fomentando a cena artística local, com a intenção de intervir em lugares públicos e privados, junto a alguns artistas nativos.

Como estão as expectativas em relação ao projeto?

A Europa, por ser um território muito rico em cultura, proporciona ao projeto uma ampla opção de estilos e diferentes formas de expressões de todo nicho de arte. Até agora fomos muito bem recebidos aqui em Portugal, inclusive o primeiro evento quem nos apresentou ao local foi o Miguel, um artista e fotógrafo local que conhecemos em nossa estadia em Cascais. Vemos o antigo continente como uma oportunidade de evoluir e alavancar nosso trabalho, cada um a sua maneira, mas sem duvida as expectativas tem sido supridas. Não poderia ser melhor o momento.

Como surgiu a ideia do Projeto Black Box?

Engraçado como a vontade de um às vezes é uma necessidade coletiva. Foi em um almoço, após um surf, que tivemos quase que a mesma ideia e potencializamos ela em uma só. Assim surgiu a primeira fase do projeto. Foram muitas noites a fio e trabalho árduo. Mas basicamente ela nasceu há algum tempo, entre boas conversas, algumas cervejas e a vontade de levar o trabalho para o velho continente.

Qual o propósito principal do Projeto Black Box?

A ideia sempre foi juntar quatro tipos de arte e fazer uma proposta itinerante. Por que não fazer em nossa cidade e pelo mundo, certo? E assim levamos essa loucura adiante. Viajar por vários países diferentes durante três meses fazendo arte, e o que mais gostamos.

Até parecia um sonho, mas quando se reúne quatro artista com fome de cultura e vontade de rodar, isso tudo se torna realidade.

Qual relação os artistas convidados tem com o esporte? Algum pratica boardsports? Se sim, qual modalidade?

Todos os intengrates estão ligados direta ou indiretamente com o esporte. Vivem isso na essência, já que Florianópolis respira isso.

Ariel começou nas pistas de skate de sua cidade para o surf, hoje faz parte de sua rotina na ilha da magia. Danka começou de criança, já que seu pai é surfista, colocou desde cedo o moleque na agua, hoje e sempre o mar é a inspiração para seu trabalho. Vellutini veio da selva de pedra, mas desde de criança já estava em contato com a água salgada, e tudo isso fez com que procurasse a praia para morar. Hoje sua influência no mundo surf é grande, fez algumas trilhas para filmes. Drocco, apesar de não praticar, tem sua ligação com o boardsport, está em sua raiz, ilustra para algumas marcas do ramo e tatua os atletas desse nicho através de suas agulhas.

Qual a formação musical e/ou artística dos integrantes do projeto?

Ari Vassa desde cedo se interessava por artes gráficas, fez o primeiro curso aos 15 anos e a partir desse momento teve certeza que era o caminho que iria seguir. Formou-se em Design Gráfico em Florianópolis e fez vários cursos de especialização, como direção de arte e tratamento de imagem pela ESPM (São Paulo) e branding pela Lemmon School (Curitiba). Trabalhou em uma das principais agências de publicidade da ilha, sem deixar os projetos pessoais de lado. Hoje, atua como designer do Black Joy, galeria de arte Coffee place. Atrás de novas referências e aprendizados, buscar expandir seu trabalho através do Black Box.

Danka Umbert começou suas atividades por ter influência dentro de casa. Sua mãe, artista, sempre deu oportunidade para o desenvolvimento de sua criatividade. Tentou ingressar no curso de Artes Plásticas na universidade de Santa Catarina, mas não conseguiu. Assim, seguiu suas habilidades fazendo e praticando. Hoje, autodidata, já fez algumas exposições pelo mundo como Japão, Indonésia, Chile e Peru. Black Box se tornou por um tempo uma plataforma e atelier de Danka e dos outros integrantes.

Rodrigo Vellutini começou a estudar música desde cedo, fez aulas de piano aos 9 anos de idade e depois passou para a guitarra e violão, instrumentos que toca até hoje. Influenciado pela cultura do Hip Hop e suas influências de Funk & Soul, Jazz, Disco e Blues, Rodrigo começou a estudar produção músical com seu amigo Ceah Pagotto.

Depois de algum tempo, fundou o projeto Shaka junto com Gustavo Caram, também músico e produtor e, em seguida, seu projeto solo, o Afterclapp, que tem como enfoque o que o levou a estudar produção em primeiro lugar: O Hip Hop.

Após 20 anos na cidade de Campinas, São Paulo, em busca de estudar design e conhecer outras realidades e ambientes, Drocco mudou-se para Florianópolis, Santa Catarina, local onde deu início a graduação em design gráfico pela Universidade Federal de Santa Catarina, e a sua carreira como artista gráfico e, mais tarde, tatuador. A proximidade com o mar e a interação entre arte surf e skate são seu maior ponto de partida para trabalhos artísticos e de design, tendo elaborado até então diversos materiais para as marcas independentes mais representativas da ilha.

Seus trabalhos, realizados em preto e branco e tatuagens de desenhos originais, retratam uma mistura desse estilo de vida, com elementos e técnicas contemporâneas, sem deixar de citar sua inspiração maior, a qual surge de alguma maneira em todos os trabalhos, a lua cheia. Tatuador há quatro anos e, atualmente fixo em dois dos melhores estúdios de tatuagem contemporânea da grande Florianópolis, o Black Joy Art, galeria de arte Coffee place e o estúdio e o Art Live Lab, seu trabalho é executado em paralelo a elaboração da The Tropical Disease, sua marca independente onde se dedica a produção de estampas, curadoria e editoração do conteúdo criando zines atemporais.

O Black Box Tour surge como uma nova etapa dessa trajetória, onde através da companhia de outros artistas e do ambiente do velho continente, o artista espera levar e conhecer outras culturas e referências, buscando inspirar-se no lugar e na interação com os amigos de jornada e desconhecidos.

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