Mitteldorf lança NEXT nesta quarta em SP

Klaus Mitteldorf é um experimentador contumaz. NEXT, iniciado em 2008, traz fotografias feitas na Alemanha, Brasil e Japão, entre outros lugares.

por Redação Almasurf, 26/07/2017
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NEXT, novo livro do paulista Klaus Mitteldorf foi impresso e publicado pela Editore Damiani, de Bologna, Itália.

Criada em 2004, tem como origem a sua gráfica de excelência fundada em 1950 e especializada em livros de arte, a mesma que publicou seu livro anterior WORK Photographs 1983-2013 (Damiani, 2013), uma requintada publicação impressa em sete cores.

Entre os autores publicados por eles estão o inglês Martin Parr, o japonês Hiroshi Sugimoto e o americano Joel Meyerowitz. Um título perfeito que define este artista excepcional, cujo trabalho sempre esteve na vanguarda desde seu primeiro livro, o antológico Norami (Rotovision, 1989), publicado na Suíça e nos Estados Unidos simultaneamente.

Quando era surfista no litoral paulista, Mitteldorf quis ser cineasta, fazendo registros essenciais do esporte e de uma geração que culminou no seu longa metragem Rio-Santos, em véspera de lançamento.

Quando fotógrafo publicitário, saiu do seu confortável e rentável nicho e foi ser artista. Quando as cores saturadas dos cromos pipocavam nas capas das revistas européias no início dos anos 1980,  ele já estava há tempos trabalhando com esta mídia.

Mitteldorf é um experimentador contumaz. NEXT, iniciado em 2008, traz fotografias feitas na Alemanha, Brasil e Japão, entre outros lugares.

É uma sucessão vertiginosa de múltiplas exposições, processos gráficos híbridos, como a mistura de negativos com positivos, acelerações cromáticas, camadas de diferentes texturas,  que vão das saturações em cor a raros momentos monocromáticos.

Em sua grande maioria é centrado na figura humana dentro da massa urbana.

É um processo digital do fotógrafo produzido ecleticamente com gadgets, câmeras de baixa performance e até câmeras profissionais. A comprovação de que, o que realmente importa na fotografia é quem fica atrás da câmera.

Josef Akel, escritor, colaborador de publicações como Artforum e The New York Times, já explica em sua introdução que Klaus Mitteldorf desafia uma fácil categorização. Ele lembra que após 40 anos de fotografia, as imagens do fotógrafo não se adequam a nenhuma escola ou movimento que pudessem alinhá-lo a uma determinada tradição estética.

Na verdade, diz ele, o fotógrafo parece seguir pelos fluxos e idiossincrasias que capturam sua atenção a cada momento.

Para o crítico, é revelador que suas escolhas conceituais e composicionais - o posicionamento de uma movimentada metrópole como símbolo de modernidade entrando pelo frágil estado do ser humano, combinado com uma sincera mas distorcida visão do indivíduo dentro deste mundo - acabe o aproximando (pelas colagens e layers) de artistas como o húngaro Lázsló Moholy-Nagy (1895-1946) com seu movimento The New Vision (relacionado aos princípios da escola alemã Bauhaus) e artistas como o americano Man Ray (1890-1976) e o francês Maurice Tabard (1897-1984), surrealistas que abraçaram a fotografia.

O paulista Rubens Fernandes Junior, professor, pesquisador e curador, autor do livro Papéis Efêmeros (Tempo D ‘Imagem, 2015), que também assina o texto introdutório neste livro, assim como no anterior, escreve que “Mitteldorf revelou a essência do mundo contemporâneo, centrado na tecnologia digital.”

Para ele, suas imagens adquirem um certo aspecto Pop, lembrando algumas colagens de Robert Rauschemberg (1925-2008) nos anos 1960. Entretanto, ele alerta que é necessário conhecer a produção do artista, incluindo seus meios e procedimentos. “Com conhecimento e perspicácia, Mitteldorf pretende questionar a imagem fotográfica, que para ele nunca foi uma representação da realidade.”

A resposta de Mitteldorf é radical, analisa Fernandes Junior: Ele se vale de alguns efeitos tecnológicos e promove uma articulação com um universo idealizado em seu percurso criativo. Sua proposta é a interação das imagens em fusões, superposições, transparências e deslocamentos, além de outros artifícios que prolongam a suposta continuidade do ato fotográfico congelado no tempo.

O curador também anota algo que pode chegar perto de uma definição para o artista, e que está embutido no manifesto Fotodinâmica Futurista, proposto pelo fotógrafo, cineasta e diretor de teatro italiano Anton Giulio Bragaglia (1890-1960) em 1911, no qual interessava para ele estar apenas envolvido na área do movimento que pudesse trazer sensações “cuja memória ainda palpita em nossa consciência.”

Acerta Fernandes quando escreve que passados mais de 100 anos nos encontramos com NEXT: “O resultado de uma visão livre que percebe o poder simbólico das camadas que alinham as múltiplas sensações que permeiam nosso olhar com transparências e radiantes visões de luz.

Klaus Mitteldorf – Next

Editore Damiani, Itália, Edição em língua inglesa somente. Lançamento: Anexo Millan
Abertura e lançamento do livro: 26 de julho de 2017, quarta-feira, 19h – 22h.
Confira a exposição em nossa agenda: Next
Para adquirir o livro é só ir em www.freebook.com.br que está distribuindo e vendendo o livro no Brasil.

Sobre Juan Esteves Nascido em Santos (SP), é fotógrafo e jornalista há 30 anos. Escreveu para o caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, onde foi fotojornalista e editor de fotografia. Foi colunista da revista Iris Foto e do portal Fotosite, onde também foi editor, além de colaborar com diversas revistas como a SeLecT, Santa Art Magazine e Fotografe Melhor. Suas imagens já foram publicadas pelas editoras Penguin ( Inglaterra), Rizzoli ( Itállia), Autrement ( França) Editorial Crítica ( Espanha), Rive Gauche (China) e Yale University (EUA) entre outras. (foto: Ernest Hemingway escrevendo © Paris Review) uma homenagem ao grande autor.Conheça o blog do Juan Esteves e confira as novidades em sua pagina no Facebook. Leia seu último texto sobre Odires Mlászho.

Fonte Infoartsp 

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