Yago vence em Newcastle

Jovem catarinense de 20 anos conquista a primeira vitória no Circuito Mundial com um aéreo nota 10 na decisão contra o paulista Jessé Mendes na Austrália.

por João Carvalho, 27/02/2017
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Uma final verde-amarela fechou o primeiro campeonato importante da World Surf League na temporada 2017, com mais um jovem talento do surfe brasileiro brilhando no tradicional Surfest Newcastle da Austrália. Ninguém sobreviveu ao ataque aéreo do catarinense Yago Dora, 20 anos, no domingo em Merewether Beach. Na final contra o paulista Jessé Mendes, 24, ele foi aumentando a vantagem a cada voo, até arrancar nota 10 unânime dos juízes num aéreo incrível que garantiu a sua primeira vitória no Circuito Mundial. Com o título no QS 6000 Maitland and Port Stephens Toyota Pro, Yago Dora assumiu a liderança do WSL Qualifying Series e Jessé Mendes é o segundo colocado no ranking das nove etapas de 2017.

"Quero agradecer toda a galera que estava torcendo no Brasil pela transmissão ao vivo, aos brasileiros que estão aqui na praia também e essa final 100% brasileira foi animal", disse Yago Dora, no pódio do Surfest Newcastle. "As ondas aqui estavam incríveis ontem e hoje (domingo) e foi muito legal fazer a final com o Jessé (Mendes), que é um grande amigo meu no ‘tour’ e tinha me estraçalhado na última vez que nos enfrentamos. Foi a minha primeira vitória e estou feliz por ter sido aqui na Austrália, num campeonato tão importante, com tanta história, e espero que tenha muitas ainda por vir".

As condições do mar no domingo estavam muito favoráveis para Yago Dora mostrar o seu arsenal de aéreos de frontside nas esquerdas de Merewether Beach. Elas formavam rampas perfeitas para o catarinense voar nas ondas e aterrissar depois de giros completos no ar cada vez mais altos. Na final, completou um "reverse full rotation" sensacional, que ganhou nota 10 unânime dos cinco juízes e outros aéreos já tinham recebido notas 8,00, 8,27 e 8,83. Jessé Mendes não teve o que fazer e Yago Dora festejou sua primeira vitória no Circuito Mundial, logo num dos eventos mais tradicionais do esporte na Austrália, o Surfest Newcastle.

"Foi divertido competir contra meu amigo de infância na final", disse Jessé Mendes. "Tivemos algumas boas baterias no passado, eu ganhei a última, então agora foi a vez dele. Estou feliz porque sinto que surfei bem durante todo o campeonato, mas na final o Yago (Dora) não me deu qualquer chance. Eu só quero continuar fazendo o que estou fazendo, pois sinto que esse evento foi positivo para mim e estou contente pelo resultado também".

MAIORIA BRASILEIRA - Entre os oito surfistas que chegaram no domingo decisivo, metade era do Brasil. O catarinense Willian Cardoso perdeu o primeiro duelo das quartas de final para o norte-americano Ian Crane. Mas, Jessé Mendes despachou o francês Jorgann Couzinet no segundo e o terceiro foi 100% catarinense, entre Yago Dora e Alejo Muniz, campeão desta etapa de Newcastle em 2015. Nesta bateria, Yago completou seu primeiro grande aéreo do dia na onda que valeu nota 9,5, para vencer por 16,33 a 13,60 pontos.

Nas semifinais, Jessé Mendes usou sua variedade de manobras de borda e aéreas também para liquidar o norte-americano Ian Crane por 14,67 a 11,76 pontos. E Yago Dora teve mais trabalho no confronto com o australiano Mitch Coleborn, que é de uma escola diferente, mais baseada no "power surf". Foi, talvez, a bateria mais difícil para o catarinense durante toda a semana em Merewether Beach, mas ele conseguiu uma nota 7,67 que fez a diferença no placar apertado de 12,94 a 12,27 pontos.

BRASIL NO RANKING - O resultado do QS 6000 Maitland and Port Stephens Toyota Pro praticamente formou o novo ranking do WSL Qualifying Series 2017. Ele agora é encabeçado pelos brasileiros Yago Dora e Jessé Mendes, que já tinham disputado as duas etapas realizadas no Havaí, em Sunset Beach e em Pipeline. Abaixo deles estão os semifinalistas em Newcastle, com o americano Ian Crane em terceiro lugar e o australiano Mitch Coleborn em quarto.

Outros dois brasileiros também passaram a figurar na lista dos dez surfistas que sobem para o grupo dos top-34 que disputa o título mundial da World Surf League, com os resultados conquistados no Surfest Newcastle. Os catarinenses Alejo Muniz e Willian Cardoso perderam nas quartas de final nesta primeira etapa que disputaram esse ano e dividem a nona posição no ranking com o italiano Leonardo Fioravanti, quinto colocado também no domingo.

CATARINENSES EM NEWCASTLE - A vitória inédita de Yago Dora na World Surf League não foi a primeira de um catarinense em Newcastle e a final brasileira com Jessé Mendes também não foi a primeira em Merewether Beach. Isso já havia acontecido em 2012, quando Willian Cardoso derrotou a hoje estrela do CT, Filipe Toledo. Depois, outro catarinense, Alejo Muniz, fez duas finais no Surfest Newcastle. Perdeu a decisão com Joel Parkinson em 2013, mas foi campeão na final com o também australiano Jack Freestone em 2015.

Já a primeira vitória catarinense em Newcastle, desde o ano 2000, foi conquistada por Neco Padaratz, em mais uma decisão Brasil x Austrália em 2006, contra Jarrad Howse. Antes dele, quando as baterias finais eram compostas por quatro surfistas, três brasileiros chegaram na decisão de 2002, mas não conseguiram impedir a vitória do australiano Mick Fanning. O baiano Armando Daltro ficou em segundo lugar, o cabo-friense Victor Ribas em terceiro e o pernambucano Paulo Moura em quarto. E em 2004, o alagoano Tânio Barreto terminou em quarto lugar na vitória do fenômeno Kelly Slater.

FRANCESA CAMPEÃ - No igualmente primeiro QS 6000 do ano no WSL Qualifying Series feminino, a francesa Johanne Defay ganhou a decisão do título do Anditi Women´s Pro com a neozelandesa Paige Hareb e também assumiu a ponta no ranking com a vitória em sua primeira competição na temporada 2017. Johanne barrou nas semifinais a sensação do campeonato que defendia a liderança do QS em Newcastle, Macy Callaghan. A jovem australiana, que foi campeã mundial Pro Junior da WSL esse ano, ainda foi ultrapassada pela vice-campeã Paige Hareb e caiu para o terceiro lugar na lista das seis que sobem para o CT.

"Estou muito feliz, porque eu nunca tinha vencido uma etapa do QS antes, então começar a temporada com vitória é incrível", disse Johanne Defay. "As ondas estavam um pouco complicadas hoje (domingo), então eu tinha que escolher bem as melhores que entravam. Eu tive alguns problemas para me requalificar para o CT no passado, então posso relaxar um pouco com este resultado. Eu gosto muito de surfar aqui em Newcastle e agora esse lugar passa a ser ainda mais especial para mim".

PRÓXIMO QS 6000 - O primeiro QS 6000 masculino e feminino do ano terminou no domingo e na segunda-feira já começa o segundo também na Austrália, o prestigiado Australian Open of Surfing nas ondas de Manly Beach, em Sydney. O agora novo líder do ranking, Yago Dora, o vice-líder Jessé Mendes e os nonos colocados, Alejo Muniz e Willian Cardoso, vão defender suas vagas na lista dos dez indicados pelo WSL Qualifying Series para a elite dos top-34 da World Surf League nesta semana em Sydney. E esta etapa também já teve vitória brasileira, como a do hoje campeão mundial Adriano de Souza na final de 2014 contra o australiano Julian Wilson.

Mais informações, notícias, fotos e vídeos do QS 6000 Maitland and Port Stephens Toyota Pro e do QS 6000 Anditi Women´s Pro podem ser acessadas no www.worldsurfleague.com e as notícias da participação sul-americana no Surfest Newcastle no www.wslsouthamerica.com

SOBRE A WORLD SURF LEAGUE - A World Surf League (WSL), antes denominada Association of Surfing Professionals (ASP), tem como objetivo celebrar o melhor surf do mundo nas melhores ondas do mundo, através das melhores plataformas de audiência. A Liga Mundial de Surf, com sede em Santa Mônica, na Califórnia, atua em todo o globo terrestre, com escritórios regionais na Austrália, África, América do Norte, América do Sul, Havaí, Europa e Japão.

A WSL vem realizando os melhores campeonatos do mundo desde 1976, que definem os campeões mundiais masculino e feminino no Samsung Galaxy Championship Tour, além do Big Wave Tour, Qualifying Series e das categorias Junior e Longboard, bem como o WSL Big Wave Awards. A Liga tem especial atenção para a rica herança do esporte, promovendo a progressão, inovação e desempenho nos mais altos níveis.

Os principais campeonatos de surf do mundo são transmitidos ao vivo pelo www.worldsurfleague.com e pelo aplicativo grátis WSL app. A WSL já possui uma enorme legião de fãs apaixonados em todo o planeta que acompanha as performances dos melhores surfistas do mundo, como Gabriel Medina, John John Florence, Adriano de Souza, Kelly Slater, Stephanie Gilmore, Greg Long, Makua Rothman, Carissa Moore, entre outros, competindo no mais imprevisível e dinâmico campo de jogo entre todos os esportes no mundo, que é o mar.

RESULTADOS DO SURFEST NEWCASTLE 2017

FINAL DO QS 6000 MAITLAND AND PORT STEPHENS TOYOTA PRO:
Campeão: Yago Dora (BRA) por 18,83 pontos (10,00+8,83) - US$ 25.000 e 6.000 pontos
Vice-campeão: Alejo Muniz (BRA) com 9,27 (notas 5,60+3,67) - US$ 12.000 e 4.500 pontos

SEMIFINAIS - 3.o lugar com 3.550 pontos e US$ 5.500 de prêmio:
1.a: Jessé Mendes (BRA) 14.67 x 11.76 Ian Crane (EUA)
2.a: Yago Dora (BRA) 12.94 x 12.27 Mitch Coleborn (AUS)

QUARTAS DE FINAL - 5.o lugar com 2.650 pontos e US$ 3.000 de prêmio:
1.a: Ian Crane (EUA) 11.17 x 10.53 Willian Cardoso (BRA)
2.a: Jessé Mendes (BRA) 11.50 x 5.23 Jorgann Couzinet (FRA)
3.a: Yago Dora (BRA) 16.33 x 13.60 Alejo Muniz (BRA)
4.a: Mitch Coleborn (AUS) 14.23 x 14.04 Leonardo Fioravanti (ITA)

FINAL DO QS 6000 ANDITI WOMEN´S PRO:
Campeã: Johanne Defay (FRA) por 16,73 pontos (notas 9,23+7,50) - US$ 10.000 e 6.000 pontos
Vice-campeã: Paige Hareb (NZL) com 13,63 pontos (7,20+6,43) - US$ 5.000 e 4.500 pontos

SEMIFINAIS - 3.o lugar com 3.550 pontos e US$ 2.500 de prêmio:
1.a: Paige Hareb (NZL) 13.60 x 11.50 Sage Erickson (EUA)
2.a: Johanne Defay (FRA) 13.94 x 12.83 Macy Callaghan (AUS)

QUARTAS DE FINAL - 5.o lugar com 2.650 pontos e US$ 1.750 de prêmio:
1.a: Paige Hareb (NZL) 14.17 x 11.07 Tatiana Weston-Webb (HAV)
2.a: Sage Erickson (EUA) 12.33 x 9.43 Malia Manuel (HAV)
3.a: Macy Callaghan (AUS) 17.10 x 13.17 Bronte Macaulay (AUS)
4.a: Johanne Defay (FRA) 14.56 x 9.84 Zoe McDougall (HAV)

G-10 DO WSL QUALIFYING SERIES 2017 - ranking das 9 primeiras etapas:
1.o: Yago Dora (BRA) - 6.785 pontos
2.o: Jessé Mendes (BRA) - 4.980
3.o: Ian Crane (EUA) - 4.710
4.o: Mitch Coleborn (AUS) - 4.450
5.o: Jorgann Couzinet (FRA) - 3.775
6.o: Soli Bailey (AUS) - 3.700
7.o: Cam Richards (EUA) - 2.845
8.o: Seth Moniz (HAV) - 2.690
9.o: Alejo Muniz (BRA) - 2.650
9.o: Leonardo Fioravanti (ITA) - 2.650
9.o: Willian Cardoso (BRA) - 2.650
próximos sul-americanos até 100:
13: Adriano de Souza (BRA) - 2.250 pontos
19: Peterson Crisanto (BRA) - 1.895
20: Michael Rodrigues (BRA) - 1.880
33: Miguel Tudela (PER) - 1.525
38: David do Carmo (BRA) - 1.380
40: Leandro Usuna (ARG) - 1.335
42: Bino Lopes (BRA) - 1.290
43: Juninho Urcia (PER) - 1.270
45: Rafael Teixeira (BRA) - 1.240
55: Lucas Silveira (BRA) - 1.095
58: Santiago Muniz (ARG) - 1.050
58: Jean da Silva (BRA) - 1.050
68: Lucca Mesinas Novaro (PER) - 960
72: Mateus Herdy (BRA) - 949
74: Victor Mendes (BRA) - 930
94: Deivid Silva (BRA) - 700
94: Samuel Pupo (BRA) - 700
94: Alonso Correa (PER) - 700
102: Joaquin del Castillo (PER) - 685

G-6 DO WSL QUALIFYING SERIES FEMININO - ranking das 7 primeiras etapas:
1.a: Johanne Defay (FRA) - 6.000 pontos
2.a: Paige Hareb (NZL) - 5.180
3.a: Macy Callaghan (AUS) - 6.720
4.a: Sage Erickson (EUA) - 3.550
5.a: Isabella Nichols (AUS) - 2.970
6.a: Zoe McDougall (HAV) - 2.770
sul-americanas no ranking 2017:
23: Silvana Lima (BRA) - 1.550 pontos
69: Anali Gomez (PER) - 700
78: Dominic Barona (EQU) - 650
83: Josefina Ane (ARG) - 640
88: Tainá Hinckel (BRA) - 620
121: Melanie Giunta (PER) - 385
121: Lorena Fica (CHL) - 385
143: Jessica Anderson (CHL) - 240
165: Pomare Dreisziger (CHL) - 120

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